A cerimônia de abertura do Encontro Presencial de Encerramento do Primeiro Módulo do Programa de Capacitação para o Fortalecimento do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca de Mato Grosso, na tarde desta terça-feira (17), foi marcada por um momento de grande emoção e sensibilidade artística. A escritora e poeta Luciene Carvalho, presidente da Academia Mato-Grossense de Letras, protagonizou uma performance sobre ser mulher negra e tantas profundidades que a atravessa. E foi assim que o evento foi oficialmente aberto, com fortes aplausos.
Promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT), por meio do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, em parceria com o Instituto Saberes, o encontro, que começou na tarde desta terça-feira (17), reúne profissionais de bibliotecas de diversas regiões do Estado. A iniciativa integra o Edital nº 14/2024, executado com recursos do Governo Federal por meio da Política Nacional Aldir Blanc – Ciclo I.
A canção “Ismália”, do cantor e compositor Emicida, preparou o público. Dentre os versos da música, está o convite à reflexão: “A felicidade do branco é plena, a felicidade do preto é quase”.
Luciene Carvalho, na performance que começou do fundo do auditório, registrou dados históricos sobre o racismo a que os afrobrasileiros são vítimas. Entre os dados, a artista performou algumas de suas próprias poesias, selecionadas para registrar sua racialidade. Falou sobre cabelo crespo, sobre fazer pazes com suas feições e registrou: “O meu corpo é meu lugar, meu reino” e encontrou-se como “a musa e o poema”. Encerrou com o seu reconhecido poema “Enluarados”, cuja versão musicada pode ser acessada pelas plataformas digitais.
Natural de Corumbá (MS) e radicada em Cuiabá desde a infância, Luciene Carvalho começou sua relação com a poesia ainda muito jovem, inicialmente por meio da declamação, incentivada pela família. Mais tarde, passou a escrever e desenvolver uma carreira literária marcada pela intensidade poética e pela presença cênica em apresentações públicas.
Ao longo de sua trajetória, a autora publicou diversas obras que dialogam com temas como identidade, memória, afetos e o cotidiano da cultura mato-grossense. Entre seus livros estão Caderno de Caligrafia, Conta-Gotas, Sumo da Lascívia, Insânia, Ladra de Flores, Dona, Na Pele e Saranzal.
Ao abrir o encontro com sua história de vida e com a potência da poesia, a escritora reafirmou uma mensagem que ecoou por todo o evento: o acesso ao livro e à leitura pode mudar destinos, ampliar horizontes e transformar realidades.